quinta-feira, janeiro 17

Nada

Não. Não há nada de novo aqui. Tão pouco algo de interessante. E nem desculpas pedirei, pois realmente nada mais resta a ser dito ou lido. Tudo apenas há daqui pra fora, a partir da sua direita (olha lá).

É o fim? Não. Menos ainda posso chamar de um recomeço. É apenas uma admissão de incapacidade, de falha, de falta, do nada, do nada senão a futilidade* plena a ser dito, lido, visto, contado, divulgado...

(*) e de futilidades a blogsfera transborda.

domingo, dezembro 2

Liturgia letárgica, letargia litúrgica

As palavras de um padre numa missa nonsense, os olhos embaçados, o corpo todo dormente; a dor não mente: algumas perdas nunca farão parte de jogo algum. São eternas.

terça-feira, outubro 23

A volta

de: Fragmentos


No ônibus fio condutor, ligação direta até o espaço aéreo controlado, mãos trêmulas montam cuidadosamente um grande quebra-cabeças, inicial, criado pela mais virgem-loba entre todas. Pela janela, o canto da menina percebe o amarelo correr em linha reta sob cinzento azul celeste. Preparando-se para partir desta que ainda possui um fio, perdido, de maravilha. Negra, porém, é o maravilhoso fio, desta feita, que vai ficando para trás. Ficando. À caminho da mátria garoa ácida, sentindo o debater das asas de borboletas previamente engolidas, corre contra os mais invencíveis adversários, temporal e atemporal. Volta e ida são um só, de mesmo gosto.

Afunda-se em letras quase desordenadas, este quebra-cabeças único. Mas, ocre, a cabeça não larga. Memórias, pensamentos. São saudades. E saudades, com suas mãos grosseiramente fortes e pesadas, cruelmente lhe esmaga, paulatinamente, coração e pulmão. A morte é certa, iminente. E ao chegar, como esperado, não lhe tira a vida.

quarta-feira, setembro 19

Um sem título...

Do balcão, eu a vi entrar. O que ela fazia num lugar como aquele? Seria uma ilusão causada pelo excesso de cerveja e de rabo de galo? Olhei a minha volta. Sim, eu estava no boteco do Alfonso, um boteco dos mais sujos e podres que há. Os mesmos poucos bêbados de sempre continuavam lá e todos pareciam olhar em direção a porta, o que me fazia crer que ou estavam tendo a mesma visão alucinógena que eu, ou ela realmente estava ali.
Quando sua boca se abriu e sua doce voz perguntou, com um sorriso, para o Alfonso se estava tudo bem e ele, do outro lado do balcão, garrafa de cerveja em mãos prestes a me servir, sorrisão largo, respondeu com um oi meu amor, eu senti minha jovem coronária querendo entregar os pontos.
Pela qüingentésima vez, medi-na à distância. Dessa vez, porém, com mais propriedade. Calculei altura, tirei sua roupa, apalpei sua carne dura e fresca. Chutei uns vinte anos. Imaginei-a em seu esforço diário na academia, suada, molhada, bochechas rubras. Senti sua língua macia e revigorante percorrendo-me a boca, o doce cheiro do ocre vaginal, sua voz em meu ouvido chamando-me para o abate. Pude senti-la quente. Senti-la minha.
Gozamos juntos, gritos que horrorizaram quatro quarterões.
De volta ao balcão, puxei um cigarro do bolso, acendi. De olhos fechados, traguei forte, traguei profundamente. Senti a nicotina e o tabaco entrar em cada veia de meu corpo.
- Beto. Beto! Essa é a Julinha, minha filha. Chegou ontem do interior.

terça-feira, setembro 18