terça-feira, março 7

Sexta-feira tensa

- Oi, vaca! – atendeu Júlia.
- Ah, Jú, me ajuda. – respondeu Rita
- O que foi? Tudo bem?
- Não.
- O que foi?
- É essa sexta-feira maldita! Eu odeio quando o último dia útil do mês cai na sexta. Odeio!
- Vixi, amiga, relaxa. Ela já acabou. Agora a noite é nossa.
- É, nada. Ah, Julinha, eu 'tô mais dura do que qualquer coisa que eu tenha visto nos últimos meses...
- Credo, Rita! Então a gente tem outro problema, né? – disse Júlia, deixando escapar uma risadinha suave.
- Nem me fale...
- Ah, Ritoca, pare com isso. Onde você ‘tá?
- No ponto de ônibus perto da empresa.
- Então pegue um ônibus e vem pra cá. A gente vai se divertir, mesmo sem dinheiro.

Assim que desligou o telefone, Júlia ligou para a Rosa, intimando-a a comparecer ao rendez-vous que se armava, e foda-se se a Rosa tinha algum outro plano para a sexta.
- Mas, Julião, eu marquei um cineminha com o Pedro.
- Não, Ró, ele vai entender. Deixe que eu falo com ele. Relaxe e vem. É vida ou morte. Sua morte, no caso.

E lá foi Júlia atrás de um fumo, que ela jurava ter em algum lugar da casa.

A grande maldição é que ela tinha escondido o fumo muito bem, para que o Gustavo, “aquele corno, filho da puta”, como ela chamava seu ex-namorado, nunca encontrasse.
Quando a campainha tocou – o porteiro já nem mais interfonava para seu apartamento quando uma de suas amigas chegava – ela ainda não tinha encontrado o fumo.
- Vaca, abre aqui! – gritou Rosa do lado de fora. - Que merda de cheiro é esse?
- Incenso. – Disse Júlia abrindo a porta - É para a Rita.

Quando Rita finalmente chegou, os furacões Júlia e Rosa já tinham devastado o apartamento.
- Meninas de Deus, o que é isso?
Júlia nem perdeu tempo:
- Rita, por Deus, lembra quando o corno filho da puta se instalou aqui em casa?
- Claro.
- Lembra que eu tinha um fumo maravilhoso que escondi muito bem para que ele não achasse? - Lembro.
- Lembra onde foi?
- Claro.
- Sua puta!
- Ninguém manda ser lesada. Você enterrou no vaso da figueira, lembra?

Quinze minutos depois, elas pulavam e cantavam, completamente chapadas, só de calcinha, na sala, enquanto ouviam, repetidamente, a segunda metade da música Jaya jagatembe, do Krihsna Das.

4 comentários:

  1. Pois é, quando éramos adolescentes também não precisávamos de dinheiro para nos divertir, por que depois de adulto, precisamos, né não!?
    By the way, não assisti Closer!

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  2. Ah, me fala depois se este livro do Saramago é bom? Tô lendo Lolita!

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  3. Meu filho nasceu com Krishna Das!
    Eu só tatuo ouvindo Krishna Das!

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