segunda-feira, abril 28
Lótus
De longe, ao balcão do bar, brindo-lhe com meu cowboy. Recebo um aceno adocicado como retribuição. Aponto-lhe a porta, por onde está entrando sua grande paixão, cujo nome desconheço. Alguns poucos quilos acima do peso, é ainda mais bonita que Fernanda. É barbaramente linda e graciosa.
Torço por elas, para se acertem, que dêem certo. Será, de longe, o mais lindo casal da diversificada noite paulistana.
terça-feira, março 25
Juno
Junebug McGuff: O quê?
Mark, aumentando o volume do aparelho de som: Essa é minha musica favorita. É o Sonic Youth cantando Superstar dos Carpenters.
Junebug McGuff: Sim, claro. Conheço os Carpenters. Uma garota na bateria e um cara estranho... Tipo White Stripes.
Mark: Você nunca ouviu os Carpenters assim. Apenas ouça.
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Para quem foi adolescente. Para quem gosta muito de música. Para quem gosta de rock independente.
Para quem gosta de diversão fácil e simples.
Não precisa ser no cinema. Não necessariamente. Pode-se esperar sair em vídeo. E, com diálogos como o acima? Imperdível.
Claro que já baixei a deliciosa trilha sonora. Você não?
Tsc, tsc, tsc.
Tente aqui.
quinta-feira, março 20
Mais uma
A solidão e esse sentimento de angústia, que ela carrega dentro dela, nada mais são senão uma forma de carência. E a carência sempre é nada senão uma clara indicação de que se foi mimada em algum quando. Por isso, sai às ruas, pelos bares ou por qualquer outro lugar procurando alguma cerveja mais gelada que seu coração. Difícil. Então volta para solidão angustiante de sua velha kitnet e conecta-se a todos os programas de bate-papo instantâneo que conhece. O dia nasce e ela continua lá, com todos e sem ninguém. Olhos ardem, vista embaça, o corpo está cansado, mas ela não consegue dormir. São essas coisas em sua cabeça. Perto do meio da manhã, o telefone toca. Ela não se mexe. A secretária grava o recado da Carol, que nunca será ouvido.
Não sente fome. E mata sua sede com as latinhas de cerveja quente que estão ao lado do computador. Não quer morrer, nem tem nenhum sentimento suicida. Gosta da vida, gosta de viver. Pena que ela não a tenha, pena eu não o faça.
quinta-feira, março 13
A verdadeira beleza
A verdade é que nossa insegurança é tão grande, trazendo a tona uma inveja tão bem camuflada, que nos faz ter a sensação que achar alguém belo é diminuir-se por não se encaixar no padrão de beleza daquela certa pessoa.
Não é uma boca torta que tira a beleza. Na verdade tal boca contraria, até, essa definição, uma vez que o cerne da beleza esteja justamente na boca torta, que faz realçar outras belezas mais latentes e pasteurizadas.
Pois vejam isso:

Ela é russa, mas mora nos Estados Unidos desde os oito anos de idade. Bela ou feia, não importa. É quando esta pianista abre a boca, que sua maior beleza surge e transforma em belo tudo mais em volta dela; até aquilo que, por ventura, a pasteurização do embelezamento viesse a criticar.
Регина Спектор (Regina Spektor) me fez parar o carro numa movimentada avenida, já perto de casa, só para que eu a pudesse ouvir até o final dizendo, pelo rádio, “I hear in my mind all these voices, I hear in my mind all these words, I hear in my mind all this music and it breaks my heart”.
Ouça e veja o vídeo de Fidelity e entenda.
Depois vá atrás de On The Radio.
Хорошо! (lê-se Rraraxó = "muito bom", em russo).
Obs.1: Conhecem aquela música Post Modern Girls, do Strokes, não? Adivinhem de quem aquela voz doce...
Obs.2: Traduções do/pro russo, pronuncia e alfabeto by Ela.
quinta-feira, fevereiro 21
Ponte aérea cultural
Mas como tudo o que está ruim sempre tende a piorar, para mim a ponte aérea traz outro incômodo: a confusão cultural (agravada pela idade).
Se metade de meus livros, CDs e DVDs está em cada ponta da ponte, nunca sei qual ou o que está onde e quase sempre me pego querendo assistir aquele DVD ou querendo reler aquele livro que está na outra cidade (que só descubro estar na outra cidade depois de procurar muito). Um absurdo. Se resolvo pegar um CD e mudá-lo de cidade para ouvir enquanto estou nela, quando volto para a outra cidade bate-me a desilusão de não mais poder ouvi-lo. Desesperador.
Pois agora ganhei um novo problema. Tenho um endereço de e-mail que uso apenas para cadastrar em sites de lugares para ir, eventos culturais para se fazer, informativos para se receber. Até aí, inteligente de minha parte, pois recebo muitos desses e-mails e ter um endereço só para eles me auxilia na administração do mesmo. A merda é que já não sei mais se o evento cultural é em São Paulo ou no Rio, e quando sei, vejo que a cidade em que não estou sempre tem um algo para ir que é mais interessante. Agora mesmo, estou em São Paulo e acabo de ver os e-mails das baladas desse final de semana em ambas as cidades. Promete. Logo de cara, uma me chama a atenção: nesse final de semana tem Cachaça Cine Clube com Jards Macalé. Imperdível!! Fui seco no e-mail para ver a data exatamente e... Esqueci, é no Cine Odeon, no Rio. Bosta!
Pelo menos São Paulo também promete. Tem Ludov na Outs, Anjo dos Becos no Inferno e Mallu Magalhães, ela mesma, no Studio SP. Bonito, lindo. Mas como a piscina do vizinho está sempre com uma morena mais gostosa...